A cada 10 moradores de Porto Alegre, 3,6 estão negativados, aponta pesquisa; confira dicas de como investir
09/03/2026
(Foto: Reprodução) Aumenta procura por investimentos para garantir maior estabilidade financeira
Cada vez mais gaúchos têm buscado formas de investir e garantir um futuro mais estável. Em Porto Alegre, uma pesquisa da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) revela um contraste entre a percepção e a realidade financeira: enquanto 31% dos moradores dizem ter boa relação com o dinheiro e apenas 6% afirmam ter dívidas impagáveis, 36% da população está negativada, segundo os registros oficiais.
Para muitos, a virada começou com pequenas mudanças de hábito. A assistente comercial Rosemary dos Santos Ferreira transformou a relação com o dinheiro ao incluir o investimento como parte fixa do orçamento. "Antigamente, eu pegava o dinheiro e saía gastando. Hoje não. Já penso em investir, porque a gente tem a vida adulta", conta.
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A estratégia dela foi simples: tratar o investimento como uma despesa mensal. Ela lembra que a pessoa pode começar com pouco: 50, 100, 200 ou 300 reais.
"Pode ser também uma reserva de emergência, porque hoje em dia a gente, sei lá, estraga uma TV ou um computador, alguma coisa do teu dia a dia que é necessária", explica. O hábito se consolidou. "Estou conseguindo me manter e continuar tendo a minha reserva."
Segundo o assessor de investimentos Caio Castro, investir é acessível para qualquer pessoa: "A democratização dos investimentos é necessária e é para todo mundo. Mas é importante sempre pensar que precisa, antes de qualquer coisa, antes de saber onde investir, saber poupar", comenta.
Ele destaca que existem alternativas mais rentáveis e tão seguras quanto a poupança.
Produtos como CDBs, fundos de renda fixa, LCI, LCA e o Tesouro Selic podem render mais do que a poupança, especialmente no cenário atual de juros altos. "Quase todas as instituições financeiras oferecem esse tipo de investimento", afirma Castro.
Mesmo assim, especialistas alertam para a distância entre a percepção financeira e a realidade. O economista-chefe da CDL Porto Alegre, Oscar Frank, diz que muitos não têm noção clara da própria situação.
"Não fazem uma avaliação concreta e real da sua própria situação financeira. Elas tendem, de alguma forma, maquiar isso", pontua.
Para mudar esse cenário, o primeiro passo é organizar o orçamento. "Muitas pessoas não sabem quanto gastam e quanto arrecadam. Então é necessário ter todos esses dados, fazer esse levantamento ao longo do tempo e, mais do que isso, encorajar também as pessoas a projetar o futuro com base também no que aconteceu no passado", orienta o economista.
Para quem deseja começar a investir, Rosemary deixa um recado: a estratégia é essencial, mas a coragem também.
"Tu vai ter medo de investir? Vai. Mas vai com medo mesmo. E tu tem que saber onde tu vai investir. Se tu não sabe, pergunta para alguém", comenta. "Faz um curso de educação financeira, que pra mim e pra muitas pessoas ajudou bastante", diz.
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Reprodução/TV Globo
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