Cavaleiros de cinco cidades gaúchas terão de fazer curso obrigatório para participar de cavalgadas
24/02/2026
(Foto: Reprodução) Cavalgada para levar a Chama Crioula da Convenção Tradicionalista
Giovani Grizotti/ RBS TV
A 12ª Região Tradicionalista — que abrange os municípios de Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Nova Santa Rita — aprovou, no último domingo (22), uma nova exigência para participação em cavalgadas oficiais. A decisão foi tomada durante o Congresso Regional (Congregare) realizado no CTG Independência Gaucha, em Esteio.
A partir de agora, cavaleiros que desejarem integrar eventos sob supervisão do Departamento de Cavalgadas Regional precisarão realizar o Curso de Formação de Cavaleiros (CFC). A medida consta na proposição aprovada no encontro.
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Conforme o documento, o curso terá validade de dois anos, com certificação e registro junto à secretaria regional. A apresentação do certificado será obrigatória para participação em eventos específicos. Cavaleiros que não comprovarem a realização do curso poderão ter a participação, permanência ou presença rejeitada nas atividades oficiais.
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A proposta, elaborada pelo Departamento de Cavalgadas Regional, prevê uma formação dividida em módulos, abordando desde o valor histórico das cavalgadas até postura adequada em eventos, identidade tradicionalista e pertencimento à missão de representação da região.
Também estão incluídas orientações sobre diretrizes e regimentos atualizados da ORCAV e ORCARE, além de esclarecimentos sobre punições e sanções em casos de descumprimento das normas.
O curso contará com palestras ministradas por convidados, rodas de conversa sobre experiências e memórias das cavalgadas, além de atividades práticas. Entre os conteúdos previstos estão noções de primeiros socorros, organização de acampamentos, encilhas, equitação, condução adequada do animal e práticas campeiras.
Críticas
A decisão gerou uma enxurrada de críticas. O ex-presidente da Ordem dos Cavaleiros do Rio Grande do Sul, Solon Silva, que há 36 anos participa de cavalgadas tradicionalistas, manifestou-se contra a exigência de um curso obrigatório para participação nos eventos. Para ele, a medida não contribui para manter viva a tradição gaúcha e acaba dificultando a vida de quem está “no lombo do cavalo”.
Solon argumenta que a responsabilidade por uma cavalgada é do diretor do evento e defende que os tradicionalistas que participam já possuem conhecimento suficiente sobre os percursos e as regras de translado.
Ele também questiona a validade de dois anos prevista para o curso e afirma que decisões como essa estariam sendo tomadas por pessoas que não vivenciam a realidade das cavalgadas.
Em tom crítico, o tradicionalista lamenta a aprovação da proposta e diz que há um distanciamento entre quem organiza as regras e quem participa efetivamente dos trajetos. Segundo ele, o excesso de exigências pode desestimular a participação e descaracterizar práticas herdadas dos antepassados.
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